Pink Floyd – Meddle

Postado originalmente na music4l em 10/09/2009.

Após a saída/expulsão de Syd Barrett (vocalista, guitarrista e letrista) da banda por causa de seu abuso de drogas após ele ter gravado apenas um disco (Piper at Gates of Dawn – 1966) e a entrada de David Gilmour para substituí-lo, o Pink Floyd vagueou por alguns anos sem saber exatamente o que tocar, lançando álbuns experimentais e sem estilo definido. Muito embora Roger Waters (baixista) tivesse assumido os vocais (embora muitas vezes cedendo seu espaço para David Gilmour e Rick Wright), a banda ainda não possuía um líder. E nesse contexto surgiram o álbum Saucerful of Secrets (1968), a trilha sonora More (1969), o experimental meio ao vivo Ummagumma (1969) (muito embora muitos fãs acreditam que a parte ao vivo do álbum fora gravada em estúdio e as palmas e os gritos tenham sido adicionados para fingir que o disco era realmente ao vivo) e o progressivo Atom Heart Mother (1970). Ainda meio sem saber o que fazer, a banda lança o disco Meddle, em 1971, considerado um divisor de águas na história da banda e o primeiro álbum com o estilo que caracterizaria o som da banda durante a década de 70.

Comecemos pela capa: uma capa, no mínimo, estranha. Para alguns, feia. Para outros, simplesmente esquisita. O que poucos percebem ao vê-la pela primeira vez é que, na verdade, a capa não é uma pintura abstrata, e na verdade uma orelha em baixo d’água, fotografada por Bob Dowling.

O disco em si começa por uma ventania, que precede One of These Days, faixa que abre o álbum. Tendo quase 6 minutos de duração, One of These Days é uma faixa instrumental (exceto por uma única frase) criada a partir de um riff de baixo sob vários efeitos de delay e distorção. A música tem um ritmo bem definido que chega ao clímax quando ouve-se a voz distorcida do baterista Nick Mason dizer “One of these days I’m gonna cut you into little pieces” [Um dia desses eu te picarei em pedacinhos] e em seguida a música explode com um duelo de solos de David Gilmour consigo mesmo. A música era originalmente destinada ao DJ Sir Jimmy Young, do qual a banda não gostava. Versões anteriores da música continham samples do programa dele na rádio da BBC.

Assim que acaba, One of These Days é sucedida pela semi-acústica A Pillow Of Winds. Com letras que falam de amor escritas por Waters e instrumental depressivo, calmo e levemente sombrio feito por Gilmour, a música é a mais lenta do disco e fala sobre amor. Com vocais de Gilmour, a música difere bastante da sonoridade mais agitada da primeira metade do álbum (na época de seu lançamento, Lado A do disco). Com mais de 5 minutos, a música acaba em fade out num solo de slide de Gilmour.

Com uma atmosfera feliz e alegre, Fearless sucede A Pillow of Winds com a bela voz de Gilmour e o instrumental semi-acústico gravado pela banda. Curiosamente, o violão foi gravado por Roger Waters. As letras são incentivantes, compostas pela dupla Gilmour-Waters e o título da música é uma gíria futebolística para algo “muito bom”. Ao final, ocorre um cross-fade entre o instrumental que fecha a música e a torcida do Liverpool F.C. (embora Waters seja um torcedor fanático do Arsenal) cantando a música You’ll Never Walk Alone, de Rodgers and Hammerstein. You’ll Never Walk Alone era o hino do clube desde 1963.

A alegre San Tropez dá continuidade ao disco após os gritos da torcida do Liverpool, com seu ritmo puxando ao jazz e ao blues. Ao contrário das outras faixas do disco, essa faixa foi escrita inteira por Waters, e sua letra descreve a comunidade de Saint-Tropez, na França. Com destaques para o piano, a música possui um pequeno solo de slide guitar de Gilmour, e tem uma atmosfera extremamente feliz e agradável, refletindo a visão que Waters tinha de Saint-Tropez como um lugar amável. A música acaba com o brilhante solo de piano de Richard Wright.

Após o solo de Wright sofrer um fade-out, tem início a faixa mais controversa do álbum. Com altíssimas dosagens de blues, a acústica Seamus fecha o lado A do vinil com os latidos do cão chamado Seamus. Alguns fãs não gostam dela, outros a adoram. A letra de apenas uma estrofe não fala de nada especificamente, apenas de um homem e um cachorro. É a faixa mais curta do álbum (pouco mais de 2 minutos) e tem até um pequeno solo de piano de Wright.

Após Seamus, a obra prima do álbum. Abrindo e fechando o lado B do disco (e sendo, consequentemente, sua única faixa), Echoes é a uma das mais longas faixas do Pink Floyd. A música surgiu de 24 fragmentos compostos pela banda e, quando esses fragmentos foram postos juntos pela primeira vez, surgiu Nothing (Parts 1-24), a primeira versão conhecida de Echoes. Após a banda ter retrabalhado a Nothing (Parts 1-24) algumas vezes, a música mudou de nome para The Son Of Nothing e finalmente para The Return Of The Son Of Nothing, sendo esta apresentada para a platéia durante os shows no começo de 1971 como um material então inédito. A principal diferença entre The Return Of The Son Of Nothing e a Echoes que conhecemos está nas letras: a versão anterior falava do encontro de dois corpos celestes, enquanto a versão lançada remete à imaginação e à descrição de paisagens debaixo d’água. A música começa com “pingos” produzidos pelo órgão Farfisa de Richard Wright, e lentamente se desenvolve em uma canção calma e levemente triste, com brilhantes solos de Gilmour e Wright. Após algum tempo de música puramente instrumental, Gilmour e Wright fazem um dueto para cantar as letras de Waters. O refrão entra com um riff cromático memorável de Wright (riff que foi plagiado anos depois por Andrew Lloyd Webber para fazer a música tema do musical O Fantasma Da Ópera. Embora Waters não ter processado Webber, ele revelou em entrevistas que possuía um grande ódio de Webber por isso e, na música It’s A Miracle de sua carreira solo, chegou a xingá-lo). A música se transforma então em uma jam e, após algum tempo, entra em cross-fade para dar lugar à parte sombria da música, criada por Waters e Gilmour. Após a parta sombria, a música começa a criar uma atmosfera gradativa e então explode num belíssimo riff de Gilmour (o clímax da música e, provavelmente, do álbum todo) antes da música voltar ao que era antes, e lindamente acabar após 23 minutos, fechando o álbum.

Meddle é considerado o divisor de águas da carreira da banda porque sua primeira metade possui o estilo mais puxado ao blues e recorrente ao que a banda fez depois da saída de Barrett, enquanto Echoes caracteriza o progressivo que começaria a ser produzido em Dark Side Of The Moon (1973).

Nenhuma música do disco fez muito sucesso nas rádios da época, e seu único single foi One of These Days (lado B: Fearless nos Estados Unidos e na Itália, Seamus no Japão). Mesmo assim, o disco ficou em 3º nas paradas do Reino Unido na época e em 1994 foi certificado como dupla platina pela RIAA. One of These Days e Echoes são as músicas favoritas dos fãs do álbum, e Echoes foi o nome de uma coletânea dupla lançada em 2001 pela banda (a versão da coletânea de Echoes possui apenas 16 minutos, o quê desagradou muitos fãs).

Pink Floyd – Meddle (1971)
Gênero: Rock Progressivo / Blues / Folk Rock

01 – One of These Days – 5:57
02 – A Pillow of Winds – 5:07
03 – Fearless – 6:05
04 – San Tropez – 3:40
05 – Seamus – 2:13
06 – Echoes – 23:31

Destaques: One of These Days, Fearless, Echoes

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Review e Upload por Gabriel Cicco
Post por LA

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Aham, tou sabendo..
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