Melvins – Stoner Witch

Melvins é uma banda americana que possui um som que varia bastante o enfoque de álbum para álbum, fazendo com que a banda tenha uma discografia interessantíssima.

Sempre com Buzz Osborne (a.k.a. King Buzzo) como guitarrista e vocalista, e Dale Crover como baterista, a banda sempre possuiu um problema com baixistas, sendo Mark Deutrom o presente em Stoner Witch (ele ainda permaneceria na banda durante boa parte da década de 90).

A banda serviu de influência para grande parte das bandas mais populares de Seattle que emergiram no mainstream no começo dos anos 90. Essa forte relação fez com que vários leigos rotulassem o Melvins como uma banda grunge.

E essa relação forte com as bandas de Seattle, fez com que, assim como outras bandas, o Melvins atraísse atenção de uma grande gravadora (Atlantic) devido ao estrondoso sucesso do Nirvana. E depois de uma repercursão considerável do álbum Houdini, a gravadora mantém contrato com a banda, resultando no segundo álbum da banda pela gravadora, Stoner Witch.

Stoner Witch é muito diferente de seu antecessor, além de possuir uma atmosfera muito mais obscura, o Melvins ousa muito mais, muda bastante o som, abre alas ao experimentalismo, dá um enfoque bem maior aos vocais e à melodia, coisa que jamais acontecera nos álbuns anteriores, sendo que nestes o vocal parecia ser totalmente secundário, sempre ofuscado pelo brilho dos instrumentos.

O álbum começa com Skweetis, uma introdução marcada por uma bateria excelente, guitarras distorcidas ensurdecedoras e um baixo bem presente, com vocais ofuscados ao final da faixa, dando um clima de completa bagunça por toda a música…sensacional, não é?

Na sequência o álbum passa pela trilogia “heavy-groove-rifftastic-raw-intense-metal“, que inicia com Queen. Não apenas os riffs pesados e ‘grooveados’ e guitarras distorcidas marcam a faixa inteira como também um vocal sensacional de King Buzzo, marcante e oscilante, subindo com a música. Originalmente a faixa apresenta uma gravação propositalmente bagunçada, estranha, em que o som fica variando durante toda a música, vai ficando mais alta, mais baixa, os instrumentos somem, o vocal abaixa, volta, de um modo que você chega a ver se o seu som está com um problema, ou mesmo se você está ficando surdo. você está ficando surdo. (Eu coloquei no arquivo a versão normal da faixa, se você quiser ouvir a versão original é só clicar aqui).

Continuando a trilogia, Sweet Willy Rollbar chega como um soco no queixo. Uma música extremamente curta, marcada por riffs rápidos e um vocal pesado de King Buzzo, mas o que realmente ganha a faixa é a bateria de Dale Crover, lotada de viradas espetaculares pela música inteira, chega a ser impossível não tentar forjar um air drums aí na sua cadeira. A música está presente no jogo Tony Hawk’s Underground 2.

Para fechar a trilogia, Revolve, um clássico desde a primeira ouvida, a música já começa com um riff sensacional (E mais tarde viria o Mastodon com algo parecidissimo, a intro de Blood And Thunder). A bateria vai entrando aos poucos e vemos surgirem também vários dos melhores riffs do álbum. Dale Crover mostra que é um monstro na bateria, mas King Buzzo sem dúvida nenhuma é o grande destaque da faixa com seus vocais grossos e pesados, principalmente no refrão. Chega a ser uma das poucas faixas do Melvins que você ouve e fala “Porra, essa música parece ser tão legal de cantar!”, mostrando mais uma vez o trabalho bem mais preocupado com a melodia no álbum em questão. A faixa termina com uma parte instrumental enorme, com direito a um solo de Buzzo sobreposto em um excelente riff, ambos seguem trabalhando em conjunto até o final da música, até acabar com a volta de um dos riffs mais rebuscados de toda a música, assim dando fim à trilogia das músicas pesadas do álbum.

Goose Freight Train é uma faixa extremamente lenta, que ameniza o clima deixado pelas anteriores, com uma atmosfera bastante obscura, criada por um baixo e guitarra repetitivos, e uma batida que se repete em grande parte da música. E para completar temos King Buzzo cantando livremente sobre essa atmosfera magnificamente horrenda, a faixa dá uma pequena mudada próxima ao fim com uma parte instrumental que não tira o clima, mas muda um pouco as coisas, com uma rápida volta dos vocais de Buzzo, a faixa termina com a repetição dessa parte instrumental. Acho que deu pra entender que a faixa é bem experimental.

Roadbull é a volta do peso ao álbum, e isso poderia ser usado para adjetivar perfeitamente os riffs e a bateria da faixa.  Mas o grande destaque da faixa é refrão gritado e marcante “Get Loud! Make War! Make freedom! Key!”, mas diferentemente das outras faixas pesadas do CD, Roadbull apresenta uma parte lenta e relaxante marcada por muito experimentalismo, inclusive apresenta uma bateria de marcha e assovios no final da música.

At The Stake é uma faixa absurdamente experimental, começa bem barulhenta, com uma guitarra distorcida e estrondosa, mas aí entra o ritmo que vai se estabelecer durante toda a música, com grande destaque para o baixo, que auxiliado à bateria repetitiva com enfoque nos pratos e à guitarra que vai simplesmente fazendo ruídos em torno da faixa, criam um ambiente medonhamente relaxante, com auxílio de vocais lentos e baixos o clima se mantém
até uma repentina quebra, vocais mais marcantes e um peso maior marcam rapidamente até voltarem novamente para o clima criado anteriormente, temos agora um pequeno solo de guitarra sobre a atmosfera obscura deixada pelos intrumentos, que vai se mantendo novamente até uma repentina quebra e uma bateria variada e um vocal marcante vão se destacando. Até que novamente aquele clima tenebroso volta, como se você não conseguisse se livrar dele, e esse clima vai desaparecendo aos poucos. Para mim o grande momento do experimentalismo no álbum, impossível não viajar ouvindo essa música.

Magic Pig Detective É marcada desde o começo até grande parte dela por, exclusivamente, barulhos, barulhos e barulhos, de modo que você acha mesmo que os 5 minutos da faixa serão destinados exclusivamente a eles. Até que a dois minutos do final a música de fato começa, com um ritmo simples e um novamente extremamente marcante vocal de King Buzzo. Ao desenrolar o Melvins vai mostrando o que sabe fazer de melhor, riffs pesados de peso (sensacional, sensacional), e o final da faixa ainda é marcada por um vocal de Osborne extremamente estranho, como se estivesse com um microfone na boca, ou seja, parecendo o ilustríssimo David Yow do Jesus Lizard. Afinal, valeu a pena esperar os 3 minutos de barulho.

Shevil é mais uma faixa experimental que constrói um clima sombrio, e o Melvins realmente sabe como fazer isso, a faixa cria um clima ao maior estilo de bandas de dark ambient, há um pequeno destaque para a bateria pouco antes dos vocais entrarem em na construção da melancolia da música, vocais lentos, melódicos, ofuscados, que só alimentam a atmosfera da música. Shevil prova mais uma vez a capacidade incrível da banda de criar músicas bem diferentes do usual e de criar climas sensacionais com as mesmas.

June Bug é uma faixa instrumental pequena e agitada, que é praticamente o recheio do sanduíche das duas faixas mais experimentais e lentas do álbum, ela apresenta destaque completo para o baixo excelente, rápido, sensacional, que marca grande presença na música inteira, mesmo com grandes momentos da bateria, ou até mesmo quando a guitarra entra bastante carregada, perto do final há um pequeno desaparecimento do baixo, antes de voltar com mais um trecho pesado antes do final da música.

Lividity é a maior faixa do álbum, com seus 9 minutos, a faixa vai para a coleção das lentas e lúgubres do álbum, só que diferentemente das outras, Lividity não cresce, ela é marcada principalmente por um baixo lento e distorcido que fica afogando as conversas ao fundo da faixa, de modo que elas são quase que impossíveis de serem ouvidas, o final da música é marcado por um barulho ensurdecedor repentino que pega pesado com quem decidiu aumentar o volume pra entender as conversas, e acaba com um “Whaddaya mean? My lungs are fine” seguido de tosses.

Apesar de ousarem muito, acho que Stoner Witch é o álbum certo do Melvins para quem quer começar a se aventurar pela discografia, pois vai ter acesso a várias das faixas mais pesadas deles e também vai ter noção da capacidade de experimentalismo que a banda possui. Não é o mais acessível, mas sem dúvida nenhuma é um dos melhores, se não o melhor.

Melvins – Stoner Witch (1994)
Gênero: Stoner Rock/Sludge Metal/Experimental/Noise rock/Dark ambient

01 – Skweetis – 1:12
02 – Queen – 3:06
03 – Sweet Willy Rollbar – 1:28
04 – Revolve – 4:44
05 – Goose Freight Train – 4:38
06 – Roadbull – 3:25
07 – At The Stake – 7:56
08 – Magic Pig Detective – 5:33
09 – Shevil – 6:29
10 – June Bug – 2:10
11 – Lividity – 9:16

Destaques:
Queen, Sweet Willy Rollbar, Revolve, At The Stake, June Bug

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Aham, tou sabendo..
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Uma resposta para Melvins – Stoner Witch

  1. Muito estranho… eu feliz com a agitação do álbum, até que me vêm 3 faixas lentas…. airiariariairairia

    9/10 pra primeira metade do álbum
    3/10 pra segunda, pois foi por pouco que não pulei pro próximo disco do meu mp3.

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